Alquimia
A alquimia é a antiga tradição filosófica, química e espiritual que procurava a transformação da matéria-prima em ouro (na sua versão exotérica) e a transformação da alma humana na sua versão aperfeiçoada (na sua versão esotérica). É uma das raízes da química moderna e, simultaneamente, base de grande parte do esoterismo ocidental.
Origem e história
A alquimia tem raízes múltiplas: egípcia (de facto, a palavra "alquimia" vem do árabe al-kimiya, possivelmente derivado do nome antigo do Egito, Khem, "terra negra"), grega (com figuras como Zósimo de Panópolis no século III), árabe (Yabir ibn Hayyan ou Geber, século VIII, sistematizou as técnicas) e europeia medieval-renascentista (Paracelso, John Dee, Isaac Newton — sim, o mesmo).
A alquimia tem uma dupla face: exotérica (a transformação de metais vis em ouro, busca da pedra filosofal e do elixir da vida) e esotérica (a transformação da alma humana, o opus alquímico interior). Ambas usam a mesma linguagem simbólica: solve et coagula, nigredo, albedo, rubedo, as bodas químicas. Carl Jung dedicou décadas a estudá-la como mapa do processo de individuação psíquica.
As fases do Magnum Opus
A Grande Obra alquímica clássica divide-se em três ou quatro fases: Nigredo (a negrura: decomposição da matéria-prima, equivalente psicológico à descida à sombra), Albedo (a brancura: purificação, equivalente à lavagem e reconciliação com o inconsciente), Citrinitas (a amarelura: amanhecer, em algumas tradições), Rubedo (a vermelhura: integração final, união de opostos, manifestação do ouro).
Em chave esotérica, todo o processo de transformação profunda segue estas fases. Uma crise vital começa com nigredo (tudo se quebra), passa pelo albedo (purificação), e culmina em rubedo (a pessoa renasce transformada). Por isso a alquimia é mapa universal da mudança profunda, aplicável muito para além da química medieval.
También conocido como
- Hermetismo aplicado
- Magnum Opus
- Grande Obra
- Ars Magna