Esoterismo

Anima e Animus

Na psicologia analítica de Carl Gustav Jung, a anima é o aspeto feminino inconsciente na psique masculina, e o animus é o aspeto masculino inconsciente na psique feminina. São arquétipos do inconsciente coletivo que atuam como "ponte" entre a consciência e as profundezas da alma.

Origem e função

Jung desenvolveu os conceitos de anima e animus a partir dos anos 1920 como um dos arquétipos centrais do inconsciente coletivo. A sua intuição: cada psique humana, seja de corpo masculino ou feminino, contém os dois polos. A parte que a pessoa vive conscientemente é o seu género psicológico dominante; a parte não vivida e reprimida no inconsciente é a anima/animus.

Na linguagem junguiana clássica (herdada da sua época): o homem experimenta a sua anima (alma feminina interior) nas suas emoções profundas, na sua sensibilidade estética, na sua intuição, nas suas visões, na sua capacidade de amar. A mulher experimenta o seu animus (alma masculina interior) na sua capacidade de pensamento estruturado, na sua determinação, nas suas convicções. Hoje, com uma visão mais fluida do género, os conceitos aplicam-se com menos rigidez binária mas conservam a sua utilidade clínica.

Como se manifesta

Manifestações típicas: projeção romântica (a fascinação intensa por pessoas que encarnam a anima/animus interior — as paixões avassaladoras são frequentemente projeções deste arquétipo), sonhos com figuras do género oposto que trazem mensagens importantes, criatividade inspirada (artistas masculinos falam frequentemente de "musa" — a sua anima inspiradora), conflitos interiores entre o que a pessoa quer conscientemente e o que a sua anima/animus pede.

Em sombra: a possessão pela anima/animus produz comportamentos que a pessoa consciente não reconhece como próprios. Homem possuído pela anima: emocionalidade descontrolada, sentimentalismos. Mulher possuída pelo animus: rigidezes dogmáticas, opiniões taxativas sem nuance. A integração consciente da anima/animus é parte do processo de individuação: deixar de projetar e começar a viver plenamente ambos os polos.

Trabalhar com anima/animus

Vias clássicas: análise de sonhos (as figuras do género oposto nos teus sonhos costumam ser a tua anima/animus em diferentes fases evolutivas), análise das tuas paixões (o que te atrai intensamente? Isso aponta para a tua anima/animus), imaginação ativa (técnica junguiana de dialogar com figuras internas), cultivar conscientemente o lado oposto em si próprio (um homem desenvolvendo a sua sensibilidade recetiva; uma mulher desenvolvendo a sua assertividade estrutural). É trabalho de toda uma vida.

También conocido como

  • Alma feminina (anima)
  • Alma masculina (animus)
  • Sizígia (a união)

← Volver al glosario