Tarot de Marselha
O Tarot de Marselha é a família de baralhos de tarot impressos no sul de França desde o século XVII (especialmente em Marselha, Lyon e Avinhão) que padronizaram as imagens que ainda hoje reconhecemos como "o tarot clássico". É o tarot esotérico clássico da tradição europeia continental.
Origem histórica
A estrutura iconográfica do Tarot de Marselha consolidou-se nos séculos XVII e XVIII a partir de modelos italianos anteriores. As versões mais célebres são a de Jean Dodal (Lyon, 1701), a de Nicolas Conver (Marselha, 1760) e a reconstruída por Philippe Camoin e Alejandro Jodorowsky nos anos 90 a partir das gravuras originais. Cada versão acrescenta nuances, mas o padrão base é estável.
Ao contrário do Rider-Waite-Smith (1909), que ilustra todos os arcanos menores com cenas figurativas, o Marselha mantém os menores apenas com o naipe e os números. Isso exige do tarólogo mais conhecimento simbólico, mas permite leituras mais livres e profundas. Por isso o Marselha é o baralho preferido da tradição esotérica europeia (Eliphas Lévi, Papus, Jodorowsky), enquanto o RWS é o favorito anglo-saxónico.
Estética e iconografia
O Tarot de Marselha distingue-se visualmente pelas suas quatro cores planas: vermelho, azul, amarelo e um branco-pele. Sem sombras nem gradientes — toda a informação está na postura, nos símbolos e nos detalhes iconográficos. As xilogravuras são austeras mas cheias de pistas: dobras da roupa, direção do olhar, números romanos, plantas, animais, tudo significa.
No século XIX, Eliphas Lévi ligou os 22 arcanos maiores do Marselha às 22 letras do alfabeto hebraico e às correspondências cabalísticas, abrindo caminho à leitura esotérica avançada. A escola francesa moderna (Wirth, Papus, Jodorowsky) continua a trabalhar com o Marselha como ferramenta de exploração psicológica profunda.
También conocido como
- Tarot de Marseille
- Tarot clássico francês
- Tarot esotérico europeu