Esoterismo

Dualidade

A dualidade é o princípio metafísico segundo o qual a realidade se manifesta através de pares de opostos complementares: luz e sombra, masculino e feminino, activo e passivo, espírito e matéria. Conceito central na cosmovisão taoista (yin-yang), mas presente em muitas tradições esotéricas e filosóficas.

Origem e tradições

A dualidade como princípio cósmico aparece em numerosas tradições. Na China, o yin-yang: duas forças opostas e complementares cuja dança gera tudo o que é manifesto. Na Pérsia, o zoroastrismo: dualidade de Ahura Mazda (luz) e Angra Mainyu (escuridão). Na Grécia, os pitagóricos falavam da Tábua dos Opostos (limitado/ilimitado, par/ímpar, um/multiplicidade, direita/esquerda, etc.).

No hermetismo, o quarto princípio é a polaridade: "tudo é duplo; tudo tem dois pólos; tudo tem o seu par de opostos; os semelhantes e os dessemelhantes são o mesmo; os opostos são idênticos em natureza, diferentes em grau". Esta ideia subtil é chave: os opostos não são contrários absolutos mas extremos de uma mesma realidade contínua. Quente e frio são graus da temperatura; amor e ódio, intensidades do vínculo; em cima e em baixo, posições relativas.

Dualidade e integração

Nas tradições esotéricas, a dualidade é a condição da manifestação (sem opostos não há dinâmica) mas a sua transcendência é a meta espiritual: integrar os opostos numa totalidade consciente. A união de Shiva-Shakti no chakra coronário, as "bodas químicas" alquímicas (sol e lua unidos), a integração junguiana de anima-animus, o nirvana budista que transcende toda a dualidade.

Armadilha comum: identificar-se apenas com um pólo e rejeitar o outro. Só o "luminoso", só o "espiritual", só o "feminino"... qualquer identificação parcial deixa o outro pólo na sombra e, paradoxalmente, dá-lhe mais força inconsciente. A sabedoria madura é reconhecer ambos os pólos em si mesmo, sem negar nem absolutizar nenhum.

También conocido como

  • Polaridade
  • Pares de opostos
  • Dialéctica metafísica

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